quarta-feira, 25 de março de 2009

Losing My Religion

dos melhores episódios!



Grey's Anatomy clip

So pick me, choose me, love me.

Das melhores séries de sempre... há cenas que simplesmente ficam!


Grey's Anatomy clip

“...Okay, here it is, your choice… it’s simple, her or me, and I’m sure she is really great. But Derek, I love you, in a really, really big ‘pretend to like your taste in music, let you eat the last piece of cheesecake, hold a radio over my head outside your window’, unfortunate way that makes me hate you, love you. So pick me, choose me, love me....”

sábado, 21 de março de 2009

Dia Mundial da Poesia, outra vez!

"Menino e moço cedo me levaram os meus Pais a ler poesia. Nesses idos de 40/50, os bolsos dos meus calções andavam abarrotados de encantadas e desatinadas devoções feitas de miragens de cracks de football, das divas e vamps fatais de Hollywood, dos bichos dos rebuçados "vitória" e de versos soltos, colhidos daqui e d'acolá ao deus-dará, cada estirpe agrupada e presa, cada uma a cada uma, por grossos alfinetes subtraídos à caixa de costura de minha Mãe. Começara então a passear curiosamente os olhos pelos livros de poemas e logo me dei à surpresa e ao espanto das palavras encantadas, dadas à estampa e a um obscuro desígnio enleado pelo ritmo compassado da sua música velada. Lia-as em voz alta para melhor as ouvir e descobrir. Daí a um impúnebre versejar foi um ai-que-te-avias: nos meus cadernos escolares e no meu diário íntimo, fechado à chave, dessa idade borbulhosa do armário, as rimas dolicodoces e pueris alinhava-as eu ginástica e o Nemésio, o Cesariny, o O'Neill e tutti quanti, a quem, seduzido e rendido, comecei a tomar o gosto e, mais, a voz de empréstimo, chegando mesmo a usurpá-la quando, em estado de delirante e desejante necessidade sentimental, pretendia exprimir-me e procurar atrair e cativar a mulher amada, melhor dizendo, desejada.
[...]
Desse tempo ainda trago dentro de mim a memória viva de um admirável trecho dos Cadernos de Marte Laurids Brigge de Rainer Maria Rilke que não resisto a transcrever, apesar de extenso:
"...Ah, os poemas são tão pouca coisa quando os escrevemos cedo. Devia-se esperar e acumular sentido e doçura ao longo de toda uma vida, e esta ser tão longa quanto possível, e então, mesmo no fim dela talvez se pudesse escrever dez linhas que fossem boas. Pois os versos não são sentimentos (esses têm-se cedo que baste),- são experiências. Por causa de um verso, tem de se ver muitas cidades, pessoas e coisas, tem de se conhecer os animais, tem de se sentir como os pássaros voam e de saber os gestos com que as pequenas flores se abrem pela manhã. Tem de se poder voltar com o pensamento a caminhos de regiões desconhecidas, a encontros inesperados e a despedidas, que se viam a vir,- a dias da infância ainda por decifrar,..."
[...]
Com o correr dos anos a poesia foi-se-me tornando tão necessária como o pão de cada dia para a boca. Na boca onde o gosto começa. As letras, a palavra, o corpo da sua escrita, passaram a fazer parte da minha respiração. Razão dei então ao genial e travesso Baudelaire quando dele li que "todo o homem saudável pode privar-se de comer durante dois dias - de poesia nunca!" ("L'Art Romantique"). E, já com arraiais assentes em banca de advogado e sob a excelente orientação da mestria tutelar de meu Pai, Luís Veiga, dele ouvi repetidamente o sábio conselho desse monstro sagrado do foro e da literatura que foi Maurice Garçon: "Pour bien plaider, lisez les poètes". Na verdade, é bem-avisado, para quem pretenda bem advogar, o dever de ler os poetas. Não sei se, durante estes 45 anos de ofício, advoguei bem ou mal, creio bem que o fiz razoavelmente porque umas vezes bem, outras mal, mas que li uma miríade de livros de poemas, ai isso li - que me perdoem os jurisconsultos e os jurisperitos o tempo que consoladamente lhes roubei - e o gosto, o conforto, a companhia, a consolaçao e o sortilégio dessas leituras, essa ninguém, mas ninguém mos tira.
[...]
Na língua da poesia, em que cada palavra é cuidadosamente pesada, nunca nada é vulgar nem normal. Nem uma pedra nem uma nuvem, em cima. Nem um dia nem uma noite, depois. E, sobretudo, nem uma qualquer existência neste mundo (Wislawa Szimborska), poetisa que me foi apresentada, em francês, num excelente texto do meu amigo, o excelente, excelentíssimo, João Lobo Antunes.
Talvez por isto tudo e sobretudo pelo que lhe falta, enquanto outros trazem cruzes e medalhas ao pescoço, eu trago sempre um poema no bolso. Sempre.
A cada um, pois então, a sua devoção, o seu colete de salvação."

Miguel Veiga, in Os Poemas da Minha Vida


Ora o excerto que acabei de transcrever faz parte do prefácio do livro acima referido, prefácio esse que assim tinha início:

"O Senhor Honoré de Balzac, que tanto sabia do seu ofício, preceituava no seu "Do uso dos prefácios":

Artigo 1.º - O uso constante dos autores será o de pregar prefácios no começo de todos os seus livros.
Artigo 2.º - O uso do público será o de não os ler e de os encarar como nulos e não acontecidos
."

Pois eu devoro todos os prefácios de cada livro que me aventuro a ler e este não foi excepção! Havia muito mais para transcrever, é um texto belíssimo este que Miguel Veiga escreveu e eu resolvi partilhar, porque hoje é de poesia que falamos! (pena não ser todos os dias, teria o Homem muito mais a ganhar!)

Dia Mundial da Poesia

Comemora-se hoje o Dia Mundial da Poesia e, a propósito, deixo aqui um daqueles contos deliciosos de Mia Couto!
Não é poesia claro está, mas a poesia ultrapassa as suas fronteiras e entrenha-se na prosa, deixando transparecer a sua grandiosidade!


O Menino Que Fazia Versos

- Ele escreve versos!

Apontou o filho, como se entregasse criminoso na esquadra. O médico levantou os olhos, por cima das lentes, com o esforço de alpinista em topo de montanha.

- Há antecedentes na família ?

- Desculpe, doutor ?

O médico destrocou-se por tintins, Dona Serafina respondeu que não. O pai da criança, mecânico de nascença e preguiçoso por destino, nunca espreitara uma página. Lia motores, interpretava chaparias. Tratava-a bem, nunca lhe batera mas a doçura mais requintada que conseguira tinha sido em noite de núpcias:

- Serafina, você hoje cheira a óleo Castrol.

Ela hoje até se comove com a comparação. Sim, perfume de igual qualidade qual outra mulher pode sequer sonhar ? Pobres que fossem os dias, para ela, tinham sido lua-de-mel. Para ele, período de rodagem. O filho fora confeccionado nesses namoros de unha suja, restos de combustível manchando o lençol. E oleosas confissões de amor.

Tudo corria sem mais, a oficina mal dava para o pão e a escola do miúdo. Mas eis que começam a aparecer, pelos recantos da casa, papeis rabiscados com versos. O filho confessou, sem pestanejo, a autoria do feito.

- São meus versos, sim.

O pai logo sentenciara: havia que tirar o miúdo da escola. Aquilo era coisa de estudos a mais, perigosos contágios, más companhias. Pois o rapaz, em vez de se lançar no esfrega-refrega com as meninas se acabrunhava nas penumbras e, pior ainda, escrevia versos. O que se passava: mariquice intelectual ? Ou carburador entupido, avarias dessas que a vida do homem se queda em ponto morto ?

Dona Serafina defendeu o filho e os estudos. O pai, conformado, exigiu: então, ele que fosse examinado.

- O médico que faça revisão geral, parte mecânica, parte eléctrica.

Queria tudo. Que se afinasse o sangue, calibrasse os pulmões, e sobretudo lhe espreitassem o nível do óleo na figadeira. Houvesse que pagar por sobressalentes, não importava. O que urgia era por cobro àquela vergonha familiar.

Olhos baixos, o médico escutou tudo, sem deixar de escrevinhar num papel. Aviava já a receita para poupança de tempo. Com enfado, o clínico se dirigiu ao menino:

- Dói-te alguma coisa ?

- Dói-me a vida, doutor.

O doutor suspendeu a escrita. A resposta, sem dúvida, o surpreendera. Já Dona Serafina aproveitava o momento: está a ver, doutor ? Está ver ? O médico voltou a erguer o olhos e a enfrentar o miúdo:

- E o que fazes quando te assaltam essas dores ?

- O que melhor sei fazer, excelência, é sonhar.

Serafina voltou à carga e sapateou a nuca do filho. Não lembrava o que pai lhe dissera sobre os sonhos ? Que fosse sonhar longe ! Mas o filho reagiu: longe, porquê ? Perto, o sonho aleijaria alguém ? O pai teria, sim, receio de sonho. E riu-se, acarinhando o braço da mãe.

O médico estranhou o riso. Custava a crer, visto a idade. Mas o moço, voz tímida, foi-se anunciando. Que ele, modéstia apartada, já inventara sonhos desses que já nem há, só no antigamente, coisa de bradar à terra. Exemplificaria, para melhor crença. Mas nem chegou a começar. O doutor o interrompeu:

- Não tenho tempo, moço, isto aqui não é nenhuma clínica psiquiátrica.

A mãe, em desespero, pediu clemência. O doutor que desse ao menos uma vista de olhos pelo caderninho dos versos. A ver se ali catava o motivo de tão grave distúrbio. Contrafeito, o médico aceitou e guardou o manuscrito na gaveta. A mãe que viesse na próxima semana. E trouxesse o paciente.

Na semana seguinte foram os últimos a serem atendidos. O médico, sisudo, taciturneou: o miúdo não teria, por acaso, mais versos ? O menino não entendeu.

- Não continuas a escrever ?

- Isto que faço não é escrever, doutor. Estou, sim, a viver. Tenho esse pedaço de vida - disse, apontando um novo caderninho - quase a meio.

O médico chamou a mãe, à parte. Que aquilo era mais grave do que se poderia pensar. O menino carecia de internamento urgente.

- Não temos dinheiro, fungou a mãe entre soluços.

- Não importa, respondeu o doutor.

Que ele mesmo assumiria as despesas. E que seria ali mesmo, na sua clínica que o menino seria sujeito a devido tratamento.

Hoje quem visita o consultório raramente encontra o médico. Manhãs e tardes ele se senta num recanto do quarto de internamento do menino. Quem passa pode escutar a voz pausada do filho do mecânico que vai lendo, verso a verso, o seu próprio coração.


Mia Couto

sexta-feira, 20 de março de 2009

quinta-feira, 19 de março de 2009

Urgente

Estou mais dispersa que todos os grãos de areia existentes no planeta.

Preciso de um bar. Cheio. Mais, preciso de um empregado de bar. Paciente. Que saiba ouvir. (e falar!)
Um daqueles como os dos filmes, das séries, da televisão. Daqueles que não me conhecem de parte alguma, mas que ouvem. Tudo.
Um daqueles desconhecidos desejados com quem se desabafe. Mesmo.

Precisava do bar de Grey's Anatomy e do Joe. E o quanto!


Silence 4 - To Give

quarta-feira, 18 de março de 2009

Regressar

"Regressar a mim é, para mim, uma ideia muito cara. Passem todas as redundâncias, é juntar cá dentro tudo aquilo que anda disperso ao longo dos dias. A unidade interior é o patamar sobre o qual gosto de construir e improvisar. Estar inteiro na vida, em cada momento é o meu maior objectivo. Às vezes consigo."

Mia Couto




John Mayer - Stop This Train

(gosto tanto tanto tanto!)

Leitura com afectos

No âmbito da semana da leitura com afectos, por tanto gostar de ler, quis participar com a Sofia e a Xixi e este foi o poema que escolhemos! Porque é a elas que tenho que agradecer o estar a levantar-me... Não que queiramos que o rumo da nossa amizade seja este, mas o poema diz-nos muito!

Dedicatória aos Amigos...

Um dia a maioria de nós irá separar-se. Sentiremos
saudades de todas as conversas deitadas fora, das
descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos
tantos risos e momentos que partilhámos.

Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das
vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim... do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje já não tenho tanta certeza disso.

Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou
por algum desentendimento, segue a sua vida.
Talvez continuemos a encontrar-nos, quem sabe...
nas cartas que trocaremos.

Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices... Até
que os dias vão passar, meses...anos... até este
contacto se tornar cada vez mais raro.
Vamo-nos perder no tempo....

Um dia os nossos filhos vão ver as nossas fotografias e perguntarão:

"Quem são aquelas pessoas?"
Diremos...que eram nossos amigos e...... isso vai doer tanto!

"Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!"
A saudade vai apertar bem dentro do peito.

Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente......
Quando o nosso grupo estiver incompleto...
reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo.
E, entre lágrimas abraçar-nos-emos.

Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes
desde aquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a
viver a sua vida, isolada do passado.
E perder-nos-emos no tempo.....

Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não
deixes que a vida te passe em branco, e que pequenas
adversidades sejam a causa de grandes tempestades....


Fernando Pessoa

segunda-feira, 16 de março de 2009

Queen of pain


Alanis Morissette- King Of Pain


I have stood here before inside the pouring rain
With the world turning circles running 'round my brain
I guess I'm always hoping that you'll end this reign
But it's my destiny to be the queen of pain

Passion!

Carta da Paixão

Esta mão que escreve a ardente melancolia
da idade
é a mesma que se move entre as nascenças da cabeça,
que à imagem do mundo aberta de têmpora
a têmpora
ateia a sumptuosidade do coração. A demência lavra
a sua queimadura desde os seus recessos negros
onde se formam
as estações até ao cimo,
nas sedas que se escoam com a largura
fluvial
da luz e a espuma, ou da noite e as nebulosas
e o silêncio todo branco.
Os dedos.
A montanha desloca-se sobre o coração que se alumia: a língua
alumia-se: O mel escurece dentro da veia
jugular talhando
a garganta. Nesta mão que escreve afunda-se
a lua, e de alto a baixo, em tuas grutas
obscuras, essa lua
tece as ramas de um sangue mais salgado
e profundo. E o marfim amadurece na terra
como uma constelação. O dia leva-o, a noite
traz para junto da cabeça: essa raiz de osso
vivo. A idade que escrevo
escreve-se
num braço fincado em ti, uma veia
dentro
da tua árvore. Ou um filão ardido de ponto a ponta
da figura cavada
no espelho. Ou ainda a fenda
na fronte por onde começa a estrela animal.
Queima-te a espaçosa
desarrumação das imagens. E trabalha em ti
o suspiro do sangue curvo, um alimento
violento cheio
da luz entrançada na terra. As mãos carregam a força
desde a raiz
dos braços a força
manobra os dedos ao escrever da idade, uma labareda
fechada, a límpida
ferida que me atravessa desde essa tua leveza
sombria como uma dança até
ao poder com que te toco. A mudança. Nenhuma
estação é lenta quando te acrescentas na desordem, nenhum
astro
é tao feroz agarrando toda a cama. Os poros
do teu vestido.
As palavras que escrevo correndo
entre a limalha. A tua boca como um buraco luminoso,
arterial.
E o grande lugar anatómico em que pulsas como um lençol lavrado.
A paixão é voraz, o silêncio
alimenta-se
fixamente de mel envenenado. E eu escrevo-te
toda
no cometa que te envolve as ancas como um beijo.
Os dias côncavos, os quartos alagados, as noites que crescem
nos quartos.
É de ouro a paisagem que nasce: eu torço-a
entre os braços. E há roupas vivas, o imóvel
relâmpago das frutas. O incêndio atrás das noites corta
pelo meio
o abraço da nossa morte. Os fulcros das caras
um pouco loucas
engolfadas, entre as mãos sumptuosas.
A doçura mata.
A luz salta às golfadas.
A terra é alta.
Tu és o nó de sangue que me sufoca.
Dormes na minha insónia como o aroma entre os tendões
da madeira fria. És uma faca cravada na minha
vida secreta. E como estrelas
duplas
consanguíneas, luzimos de um para o outro
nas trevas.


Herberto Hélder




Jack Johnson - No Other Way

sábado, 14 de março de 2009

Momentos

Foi um Momento

Foi um momento
O em que pousaste
Sobre o meu braço,
Num movimento
Mais de cansaço
Que pensamento,
A tua mão
E a retiraste.
Senti ou não ?

Não sei. Mas lembro
E sinto ainda
Qualquer memória
Fixa e corpórea
Onde pousaste
A mão que teve
Qualquer sentido
Incompreendido.
Mas tão de leve!...

Tudo isto é nada,
Mas numa estrada
Como é a vida
Há muita coisa Incompreendida...

Sei eu se quando
A tua mão
Senti pousando
‘Sobre o meu braço,
E um pouco, um pouco,
No coração,
Não houve um ritmo
Novo no espaço?
Como se tu,
Sem o querer,
Em mim tocasses
Para dizer
Qualquer mistério,
Súbito e etéreo,
Que nem soubesses
Que tinha ser.

Assim a brisa
Nos ramos diz
Sem o saber
Uma imprecisa
Coisa feliz.


Fernando Pessoa
, in Cancioneiro


Radiohead- High and Dry

sexta-feira, 13 de março de 2009

People have scars. In all sorts of unexpected places. Like secret roadmaps of their personal histories. Diagrams of all their old wounds. Most of our wounds heal, leaving nothing behind but a scar. But some of them don't. Some wounds we carry with us everywhere and though the cut's long gone, the pain still lingers.

Meredith Grey, in Grey's Anatomy




Brandi Carlile-
Wasted

quinta-feira, 12 de março de 2009

Não sei de amor senão
Não sei de amor senão o amor perdido
o amor que só se tem de nunca o ter
procuro em cada corpo o nunca tido
e é esse que não pára de doer.

Não sei de amor senão o amor ferido
de tanto te encontrar e te perder.

Não sei de amor senão o não ter tido
teu corpo que não cesso de perder
nem de outro modo sei se tem sentido
este amor que só vive de não ter
o teu corpo que é meu porque perdido
não sei de amor senão esse doer.

Não sei de amor senão esse perder
teu corpo tão sem ti e nunca tido
para sempre só meu de nunca o ter
teu corpo que me dói no corpo ferido
onde não deixou nunca de doer
não sei de amor senão o amor perdido.

Não sei de amor senão o sem sentido
deste amor que não morre por morrer
o teu corpo tão nu nunca despido
o teu corpo tão vivo de o perder
neste amor que só é de não ter sido
não sei de amor senão esse não ter.

Não sei de amor senão o não haver
Amor que dure mais que o não tido.
Há um corpo que não pára de doer
só esse é que não morre de tão perdido
só esse é sempre meu de nunca o ser
não sei de amor senão o amor ferido.

Não sei de amor senão o tempo ido
em que amor era amor de puro arder
tudo passa mas não o não ter tido
o teu corpo de ser e de não ser
só esse é meu por nunca ter ardido
não sei de amor senão esse perder.

Cintilante na noite um corpo ferido
só nele de o não ter tido eu hei-de arder
não sei de amor senão amor perdido.



Manuel Alegre,in Miguel Veiga: os poemas da minha vida




Lenny Kravitz - I'll Be Waiting

(o dia em que inesperadamente me rendi a ele! fez valer a noite em que a Amy me estilhaçou o coração!)

terça-feira, 10 de março de 2009

à quase dois longos anos...

Saudades! Tenho saudades!
São as memórias que aconchegam a alma, as memórias que embora estejam mais presentes do que nunca, começam a desvanecer-se à medida que o eco dos nossos risos se torna cada vez mais distante distante distante. Um eco que a cada vez que soa é causador de mais sofrimento.

Quando o medo nos ultrapassa, a nossa sensação é a de uma severa impotência. Pode ser a nossa tendência do exagero a falar mais alto, mas também pode ser a mais pura das realidades! E dói duplamente, dói perder e dói ser cobarde. E todas as coisas que se não chegaram a dizer são murmuradas todos os dias pelos meus lábios até o coração não mais as poder sentir.

Fiquei presa a um momento do qual não consigo sair, o momento imediatamente anterior ao da realidade que ainda não encarei. É complicadíssimo não ter a capacidade não de seguir em frente, mas de voltar atrás, olhar (não ver, olhar) em volta, e depois sim seguir em frente. Entre as linhas do medo e da culpa, perguntamo-nos se temos o poder de voltar atrás, se podemos mudar. Há um desejo enorme de colocar tudo no seu devido lugar, a vontade de apagar o que não se quer sentir.


Amiga, tenho saudades de nós!




Amy Winehouse - Best friends


à quase dois largos anos te perdi, mas continuo a ter um vislumbre nosso todos os dias...
e o vazio aumenta até não haver mais de mim!

Saudades de mim

Há quase um ano não 'screvo.
Pesada, a meditação
Torna-me alguém que nao devo
Interromper na atenção.

Tenho saudades de mim,
De quando, de alma alheada,
Eu era não ser assim,
E os versos vinham de nada.

Hoje penso quanto faço,
'Screvo sabendo o que digo...
Para quem desce do espaço
Este crepúsculo antigo?

in Poesias de Fernando Pessoa, Fernando Pessoa




Death Cab For Cutie
- A Lack Of Color

Vaidade

Vaidade

Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho...

E não sou nada!...

in Poemas, Florbela Espanca




Norah Jones - What Am I To You

Genuino



Bon Iver - Skinny Love

Bon Iver... descobri-os à bem pouco tempo e muito por acaso, mas são qualquer coisa! Apaixonei-me de imediato... e é do mais genuíno que pode haver! Alguém que sente verdadeiramente a música!

Now all your love is wasted?
Then who the hell was i?
Now i'm breaking at the britches
And at the end of all your lines

Who will love you?
Who will fight?
Who will fall far behind?

segunda-feira, 9 de março de 2009

A loucura ideal

D. Sebastião
Rei de Portugal

Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.

Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?

Fernando Pessoa, in Mensagem


Estava hoje à tarde numa aula de Português a escrever algumas notas quando a professora me pediu para ler o poema seguinte! Apos te-lo lido fiquei impressionada com a forma como Fernando Pessoa conseguiu transmitir uma tão digna ideia em pouquissimas palavras!

Esta loucura a que o poeta se refere, não no sentido de demência, mas no sentido do sonho é encantadora!
Uma tremenda loucura de quem se sabe sonhador, uma fome pelo concretizar de um sonho... é inspiradora!

"Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há."
O corpo pode até perecer, mas o mito e o sonho permanecem, não desaparecem com ele.

E o apelo que Pessoa nos faz? É do mais simples e verdadeiro que existe: tomem o sonho e vivam-no, porque o Homem não é nada sem o sonho!

Por fim,
"Cadáver adiado que procria?"
Este magnífico verso não traduz mais do que maior das realidades... já não há por aí sonhadores que se apaixonam pela luta dos seus ideais ou quem viva para o sonho. Não há mais do que «cadáveres adiados» pobres em sonhos e embriagados pelo concreto.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Let it go, for good

"We see addiction every day. It's shocking, how many kinds of addiction exist. It would be too easy if it was just drugs and booze and cigarettes. I think the hardest part of kicking an habit is wanting to kick it. I mean, we get addicted for a reason, right? Often, too often, things that start out as just a normal part of your life at some point cross the line to obsessive, compulsive, out of control. It's the high we're chasing, the high that makes everything else fade away.
The thing about addiction is, it never ends well. Because eventually, whatever it is that was getting us high, stops feeling good, and starts to hurt. Still, they say you don't kick the habit until you hit rock bottom. But how do you know when you are there? Because no matter how badly a thing is hurting us, sometimes, letting it go hurts even worse."

Meredith Grey, in Grey's Anatomy




Ben Harper - Walk Away

(Das melhores, melhores, melhores de sempre!)